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Autor: nutri_backoffice

Açúcar vs. Adoçantes

Nos dias que correm são vários os produtos que encontramos no supermercado com uma versão light, zero, ou sem açúcar, mas será que faz sentido optar por estas versões e deixar de lado a sua versão “normal”?

Qual a diferença entre açúcar e adoçante?

Açúcar
Existem vários tipos de açúcares, tais como a sacarose, a glucose, a dextrose, a frutose, a maltose, o xarope de glucose, o xarope de milho, a geleia de milho, o açúcar invertido, o melaço e também o mel. Sempre que no rótulo de um alimento encontrar um destes nomes, saiba que o seu produto contém açúcar na sua constituição. Por exemplo, o açúcar branco que colocamos no nosso café ou que utilizamos para adoçar as nossas sobremesas é, na verdade, sacarose, um hidrato de carbono simples, que pode ser extraído da cana-de-açúcar ou da beterraba passando por vários processos até ao produto final.

A Organização Mundial da Saúde recomenda que o consumo diário deste tipo de açúcares não deve ser superior a 10% do total da energia diária ingerida, o que corresponde a 200kcal por dia ou 50g de hidratos de carbono, tendo por base um valor de referência de necessidades energéticas diárias de 2000kcal. A necessidade de reduzir estes açúcares tem sido uma das razões para a procura de ingredientes que possam reduzi-los ou até substitui-los quer em alimentos processados ou receitas caseiras.

Adoçantes
Os adoçantes, ou edulcorantes (a sua denominação legal), são aditivos alimentares utilizados de forma a conferir sabor doce aos alimentos, fornecendo menos calorias do que o açúcar.

Estes são divididos em 2 categorias:

Adoçantes calóricos: apresentam metade das calorias do açúcar e são exemplos o manitol, o xilitol, o maltitol, lactitol, isomalte e o sorbitol.
Adoçantes não calóricos: não fornecem calorias e são exemplos a sacarina, o aspartame, o acesulfame de potássio, a sucralose, o ciclamato de sódio e a stevia. Este último, ao contrário dos restantes adoçantes não calóricos é um adoçante natural, extraído da planta stevia reubadiana.
Para além de fornecerem menos calorias do que o açúcar, os adoçantes apresentam um maior poder adoçante.

Substituir o açúcar pelo adoçante – sim ou não?

No que diz respeito ao valor calórico, sem dúvida que faz sentido optar pelo adoçante. Ao substituir um certo alimento ou bebida pela sua versão light ou sem açúcar, estamos a poupar na ingestão de algumas calorias, sendo uma boa estratégia na perda de peso ou na prevenção do ganho de peso. No entanto, existem alguns fatores a ter em conta, uma vez que o consumo excessivo de alguns adoçantes pode provocar efeitos adversos, tais como transtornos do sistema digestivo, alergias e ainda o facto de alguns adoçantes artificiais apresentarem uma relação potencialmente positiva com alguns tipos de cancro. Embora a nossa exposição a estes adoçantes esteja dentro dos limites toleráveis, a verdade é que existe uma relação entre o consumo diário de edulcorantes e o aumento do risco de alguns cancros, pelo que o seu consumo diário deve ser evitado. É necessário ter também em conta que embora um alimento apresente na sua constituição um adoçante em alternativa ao açúcar, não irá ser necessariamente menos calórico. Por vezes, podem apresentar outros ingredientes, como gorduras, na sua constituição que fornecem ainda mais calorias do que o açúcar.

Os adoçantes ou alimentos com os mesmos podem ser, em alguns casos, uma boa alternativa ao açúcar ou alimentos açucarados, mas devem ser consumidos de forma regrada. Eduque o seu paladar e comece a reduzir gradualmente a quantidade de produtos açucarados que consome, bem como a quantidade de açúcar que adiciona aos alimentos. A moderação é chave!

Resumidamente

O consumo de açúcar em excesso é prejudicial à nossa saúde e encontra-se naturalmente presente na maioria dos alimentos, pelo que deve ser evitada a sua adição sempre que possível;
Os adoçantes fornecem menos calorias do que o açúcar, pelo que podem ser um aliado na perda de peso;
Os adoçantes podem ser uma boa alternativa açúcar, no entanto, não devem ser consumidos de forma regular, devido aos efeitos adversos que podem exercer na nossa saúde.

Referências:
Programa Nacional para a Promoção da Alimentação Saudável. Redução do Consumo de Açúcar em Portugal: Evidência que Justifica Ação, 2016

Associação Protetora dos Diabéticos de Portugal. Alimentação | Portal da Diabetes. APDP. https://apdp.pt/diabetes/tratamento/alimentacao/

Edwards CH, Rossi M, Corpe CP, et al. The role of sugars and sweeteners in food, diet and health: Alternatives for the future. Trends in Food Science & Technology. 2016; 56:158-166. doi:https://doi.org/10.1016/j.tifs.2016.07.008

Tate DF, Turner-McGrievy G, Lyons E, et al. Replacing caloric beverages with water or diet beverages for weight loss in adults: main results of the Choose Healthy Options Consciously Everyday (CHOICE) randomized clinical trial [published correction appears in Am J Clin Nutr. 2013 Dec;98(6):1599]. Am J Clin Nutr. 2012;95(3):555-563. doi:10.3945/ajcn.111.02627

Diogo, JS, et al. Risk assessment of additives through soft drinks and nectars consumption on Portuguese population: a 2010 survey. Food Chem Toxicol, 2013. 62:p. 548-53.

Mooradian AD, Smith M, Tokuda M. The role of artificial and natural sweeteners in reducing the consumption of table sugar: A narrative review. Clin Nutr ESPEN. 2017;18:1-8. doi:10.1016/j.clnesp.2017.01.004

Segurança alimentar na gravidez

Durante a gravidez as mulheres fazem parte do grupo de risco para toxi-infeção alimentar, quer pela sua imunidade diminuída, como também pelo feto apresentar imaturidade imunológica. Deste modo, devido a uma maior vulnerabilidade do sistema imunitário, existe uma maior probabilidade para as doenças de origem alimentar. Nesse sentido, é fundamental que durante os nove meses de gestação a mulher modifique alguns hábitos alimentares e que coloque em prática algumas regras na manipulação e preparação das refeições, para conseguir desfrutar de uma gravidez segura.

Quais são as principais doenças de origem alimentar que podem afetar a saúde da grávida e do bebé?

A listeriose, a salmonelose ou a toxoplasmose são algumas das doenças infeciosas provocadas por bactérias ou parasitas que podem afetar a mãe mas principalmente comprometer a saúde do feto, podendo provocar graves problemas ou até mesmo originar um aborto espontâneo.

Listeriose
Doença causada pela bactéria Listeria monocytogenes e os alimentos mais frequentemente associados a infeções por esta bactéria são o queijo fresco, queijo de pasta mole ou curado, patês, laticínios não pasteurizados e refeições prontas para consumo.

No caso do queijo fresco, pode consumi-lo, mas deve certificar-se que este é pasteurizado e que está hermeticamente embalado em doses individuais.

Salmonelose
A salmonelose é uma infeção alimentar originada por bactérias do tipo Salmonella e é encontrada principalmente em alimentos de origem animal, como em ovos crus ou gemas mal cozinhadas, carne ou peixe cru ou mal cozinhado e refeições prontas para consumo.

De modo a prevenir a infeção deve:

  • Comer apenas carne e peixe cozinhados a alta temperatura;
  • Rejeitar ovos crus e todos os molhos e sobremesas em que estejam presentes;
  • Lavar as mãos após tocar em carne ou peixe crus.

Toxoplasmose
Doença causada pelo parasita Toxoplasma gondii, encontra-se maioritariamente nas carnes cruas ou mal cozinhadas e em frutas e hortícolas mal lavadas ou não desinfetadas.

Contaminação por mercúrio
Alguns peixes têm níveis muito elevados de metilmercúrio, um contaminante altamente tóxico que consegue atravessar a placenta e pode causar severos danos neurológicos e comprometer o desenvolvimento do bebé.

Deve evitar o consumo de peixes como alabote-do-atlântico, tubarão, tintureira, atum fresco/congelado, bonito, carocho, anequim, lixa, lagosta e grandes crustáceos e ostras.

Regras que deve adotar para garantir que tem uma gravidez segura:

  1. Manter a limpeza: Lavar mãos, utensílios e superfícies frequentemente.

Sabe higienizar corretamente as frutas e legumes? Mostramos-lhe a seguir todos os passos:

  • Lave bem as mãos antes de tocar nos alimentos;
  • Selecione as folhas boas e rejeite as que estão deterioradas;
  • Lave muito bem em água corrente, folha por folha;
  • Coloque as hortícolas e as frutas numa solução de água clorada e aguarde 10-15 minutos;
  • Enxague bem e prepare o seu prato com as mãos e utensílios bem lavados.
  1. Separar alimentos crus de cozinhados: Não deve utilizar os mesmos utensílios. Opte por facas e tábuas de corte diferentes, umas para preparar os alimentos crus e outras para os alimentos cozinhados. Uma boa dica é utilizar utensílios com cores associadas a cada grupo.
  2. No momento de cozinhar, deve confecionar bem os alimentos: Através de uma cozedura adequada é possível matar quase todos os microrganismos perigosos. Alguns estudos demonstraram que confecionar os alimentos a uma temperatura superior a 70ºC garante um consumo mais seguro.
  3. Mantenha os alimentos a temperaturas seguras: Deve deixar arrefecer os alimentos confecionados à temperatura ambiente antes de os refrigerar (até 2 horas após confeção); refrigere os alimentos cozinhados ou os que são perecíveis (de preferência abaixo de 5ºC) e tenha atenção em não armazenar alimentos durante muito tempo (evite guardar por mais de três dias), mesmo que seja no frigorífico.

Referências:

DGS. Alimentação e Nutrição na Gravidez. 2021

Alimentação na gravidez – orientações nutricionais

A gravidez é uma fase especial na vida de uma mulher, que passa por muitas alterações físicas, hormonais e emocionais, sendo que a nutrição tem um papel fundamental no desenvolvimento de uma gravidez saudável e equilibrada.

Variação de peso na gravidez: vamos descomplicar?

Durante a gravidez é normal que o seu peso aumente! Isto acontece devido à formação da placenta, líquido amniótico, crescimento do feto, volume do útero, tecido adiposo e tecido mamário. É natural que exista um maior apetite durante a gravidez devido às transformações metabólicas que ocorrem no corpo da mãe. No entanto, importa salientar que estas alterações não significam que uma mulher grávida deva “comer por dois”. O ganho de peso excessivo durante a gravidez aumenta o risco de desenvolvimento de diabetes e hipertensão gestacional, condições que comprometem a saúde da mãe e que podem afetar o desenvolvimento do feto, além de aumentar o risco de partos prematuros.

Mas quantos quilos é expectável que uma futura mamã ganhe?

O aumento de peso expectável na grávida é variável e depende do seu Índice de Massa Corporal (IMC), no início da gravidez. O ganho de peso ideal é definido de acordo com o peso anterior à gravidez.

A alimentação durante a gestação tem associação com o peso da criança na primeira infância e a alimentação da mãe é a fonte primária de energia para o feto, influenciando o risco de obesidade infantil. Para além do risco de obesidade, existem outras complicações graves que uma alimentação desequilibrada pode originar, nomeadamente, comprometer o desenvolvimento neurológico do bebé. Deste modo, a nutrição desempenha um papel fulcral na prevenção dos fatores de risco que podem influenciar negativamente o estado nutricional materno e o desenvolvimento fetal. Assim, um adequado estado nutricional da mãe é crucial para garantir o correto desenvolvimento e crescimento do bebé.

E quais são os nutrientes importantes para a mulher durante a gravidez?

As recomendações para a alimentação durante a gravidez não diferem muito das recomendações para a população em geral. A grávida irá, contudo, ter necessidades aumentadas de energia e de alguns nutrientes, dependendo este aumento do trimestre em que se encontra.

Energia
As necessidades energéticas durante a gravidez vão aumentando de acordo com o trimestre de gestação (+340kcal no segundo trimestre e +450kcal no terceiro trimestre). Este aumento é necessário para responder às mudanças que ocorrem no corpo ao longo desta fase.

Proteína
Uma alimentação com um baixo teor de proteína pode vir a comprometer o crescimento do bebé, sendo necessário aumentar o seu consumo durante o segundo e terceiro trimestre.
Este aumento deve-se ao facto de a proteína contribuir para a formação da placenta, crescimento do útero e para o desenvolvimento e crescimento do bebé. Para atingir as suas necessidades deve aumentar o consumo diário de proteína vegetal (lentilhas, feijão, grão, favas, ervilhas, entre outros) e ir alternando com proteínas de origem animal (carne, peixe, ovos ou laticínios).

Hidratos de Carbono
Os hidratos de carbono devem estar presentes e fazer parte da alimentação diária de qualquer pessoa, tendo ainda mais relevância para uma mulher grávida. Estes são fornecedores de glicose, a principal fonte de energia do nosso corpo, que é fundamental para o desenvolvimento do bebé. Devem ser priorizados os hidratos de carbono complexos (como os cereais integrais, leguminosas, fruta e hortícolas), uma vez que estes apresentam um maior teor de fibra, o que possibilita uma sensação de saciedade mais prolongada.

Ómega 3 e Ómega 6
Apesar de as necessidades de gordura não estarem aumentadas durante este período, é necessário que exista um aumento no consumo de ácidos gordos ómega-3 e ómega-6 através do consumo de peixes gordos (como salmão, cavala e sardinha) e frutos oleaginosos (noz, amêndoa, avelã).

Ácido Fólico
Uma ingestão inadequada de ácido fólico durante a gravidez pode trazer diversas complicações para o bebé, uma vez que o défice desta vitamina está associado a defeitos do tubo neural do feto.

Devido à importância do ácido fólico, as suas necessidades estão aumentadas durante a gravidez (600μg/dia). No entanto, é comum esta quantidade não conseguir ser suprida apenas através de alimentos (hortícolas verdes, leguminosas, cereais integrais), sendo por isso recomendada a suplementação deste nutriente, especialmente, no período de preconceção e durante as primeiras quatro semanas. Importa referir que antes de começar a tomar qualquer suplemento, deve aconselhar-se primeiro com o seu médico!

Ferro
Uma alimentação com défice de ferro está associada a um maior risco de parto prematuro, baixo peso à nascença e pode também comprometer o desenvolvimento do sistema nervoso do feto.

16mg é a quantidade de ferro recomendada durante a gravidez e a grávida pode garantir o seu aporte através da ingestão de alimentos (como por exemplo pão integral, feijão, grão, carapau e fígado grelhado) ou através da suplementação deste mineral, quando receitado pelo médico.

Dica: Para melhorar a absorção de ferro deve incluir na refeição uma fonte de vitamina C (laranja, kiwi, papaia, pimento, entre outros) e misturar diferentes fontes de ferro (por exemplo, combinar a carne ou peixe com vegetais ou leguminosas). Deve também evitar o consumo de café ou chá no momento das refeições, sendo que o ideal é apenas consumir estas bebidas uma a duas horas antes ou depois da refeição.

Iodo
Durante a gravidez, as necessidades de iodo estão também aumentadas (150 a 200 μg/dia), uma vez que este micronutriente é essencial para a síntese das hormonas tiroideias e para o correto funcionamento da tiroide. O défice deste mineral está associado a hipotiroidismo pós-parto, mortalidade perinatal, malformações congénitas, hipotiroidismo neonatal e pode também comprometer o desenvolvimento cognitivo do feto. O iodo pode ser encontrado em alguns alimentos, como peixes, produtos lácteos e ovos.

Dica: Recomenda-se que a mulher grávida substitua a utilização de sal comum por sal iodado, de forma a aumentar o consumo deste mineral. Não deve esquecer, contudo, que o sal deve ser consumido com moderação, estando por isso recomendado que não se ultrapasse os 5g de sal por dia, tal como é recomendado pela Organização Mundial de Saúde.

Zinco
O zinco é essencial durante a gravidez, uma vez que este mineral contribui para uma função cognitiva e visão normais. Este mineral é fundamental para existir um bom desenvolvimento neurológico do bebé, sendo que uma alimentação pobre em zinco pode causar danos, como malformações congénitas, aumento do risco de aborto, parto prematuro ou provocar um baixo peso à nascença. Deste modo, as necessidades maternas de zinco estão acrescidas (10,9mg/dia).
Exemplo de algumas fontes: carne de vaca, queijo, cajus, aveia e farelo de trigo.

Será que a alimentação pode ajudar no controlo dos enjoos e náuseas?

As náuseas e vómitos são os sintomas mais comuns da gravidez. Algumas dicas que deve seguir para evitar estes sintomas são:

  • Fazer refeições de pequeno volume;
  • Restringir os alimentos com odores fortes e optar por consumi-los em pequenas quantidades;
  • Evitar os alimentos irritantes, tais como o café, chá preto/verde, chocolate e refeições
    muito condimentadas;
  • Manter uma boa hidratação;
  • Optar por cozinhar bem os alimentos;
  • Evitar deitar-se logo após as refeições.

Ficam aqui algumas dicas que deve colocar em prática para ter uma gravidez saudável e equilibrada:

  • Fazer uma dieta variada, equilibrada e completa. Deve optar pelo padrão da Dieta Mediterrânica, dando preferência a alimentos pouco processados, frescos e da época; Veja o nosso artigo: https://nutrialma.pt/blog/dieta-mediterranica-um-estilo-de-vida-saudavel
  • Durante esta fase, deve ingerir 3 litros de água diariamente, provenientes de bebidas e de alimentos ricos em água. Desta forma, deve beber aproximadamente 10 copos de água por dia!
  • Evitar ou reduzir o consumo de produtos ricos em sal, gorduras (principalmente saturadas) e açúcar;
  • Não ingerir álcool nem fumar durante a gravidez.

Referências:

DGS. Alimentação e Nutrição na Gravidez. 2021

BAO, W.; Bowers, K.; Tobias, D.K.; Olsen, S.F.; Chavarro, J.; Vaag, A.; Kiely, M.; Zhang, C. (2014) Prepregnancy low-carbohydrate dietary pattern and risk of gestational diabetes mellitus: a prospective cohort study. The American Journal of Clinical Nutrition, 99, 1378–1384.
MARTIN, C.L., Siega-Riz, A.M., Sotres-Alvarez D, Robinson W.R., Daniels, J.L., Perrin, E.M., Stuebe, A.M. (2016) Maternal Dietary Patterns during Pregnancy Are Associated with Child Growth in the First 3 Years of Life. The Journal of Nutrition, 146 (11), 2281-2288.

Silva C., Keating E., Pinto E. (2017) The impact of folic acid supplementation on gestational and long term health: Critical temporal windows, benefits and risks. Porto Biomedical Journal, 2(6), 315–332.

Como podemos tornar a nossa alimentação mais saudável e sustentável?

A produção de alimentos de origem animal é responsável pelo uso superior de recursos naturais e por um maior impacto sobre a pegada ecológica, de carbono e hídrica face aos alimentos de origem vegetal. De entre os vários alimentos, o chocolate, a carne vermelha e os laticínios são os que requerem mais água para a sua produção e emitem mais gases com efeito de estufa. Desta forma, no nosso dia a dia, se incluirmos mais produtos de origem vegetal na nossa alimentação estamos a ter um impacto positivo no meio ambiente. Por este motivo, uma alimentação vegan pode causar menos impacto ambiental, no entanto não é por si só considera um tipo de alimentação sustentável, dado que a sustentabilidade alimentar não é apenas o reflexo do impacto ambiental, também depende de outros fatores como, por exemplo, a adequação nutricional, a cultura alimentar e a acessibilidade.

A Dieta Mediterrânica representa, também, uma das alternativas mais adequadas para modificar hábitos de consumo, de forma a promover uma alimentação mais saudável e sustentável. Constitui um padrão alimentar e de estilo de vida que defende o bem-estar do planeta, uma vez que promove a diversidade no consumo de alimentos, incentivando o consumo de alimentos locais e sazonais, e a utilização de técnicas culinárias saudáveis. Mais ainda, este padrão alimentar estimula a moderação no consumo alimentar, o que possibilita a redução do desperdício alimentar.

O processamento dos alimentos é, também, muito importante na escolha de produtos alimentares sustentáveis. Os produtos alimentares processados têm um maior impacto ambiental comparativamente aos produtos não processados, uma vez que são alimentos com custos ambientais mais elevados. Os fatores ambientais, como as emissões de gases com efeito de estufa e os custos em recursos e energia dos produtos processados, variam conforme o modo de conservação (congelação, refrigeração, sem cadeia de frio), o tempo de conservação, o número de embalagens, o tipo de embalagem, o acondicionamento no transporte e a distância entre o produtor e o consumidor.

Alimentos biológicos são alimentos sustentáveis?

Os produtos hortícolas e a fruta são os alimentos biológicos mais consumidos pelos portugueses. As frutas e hortícolas biológicas apresentam 20 a 40% mais antioxidantes do que as convencionais. São alimentos que apresentam mais nutrientes, por isso além do seu papel protetor do ambiente, nomeadamente pela redução da utilização de produtos químicos nos solos, são alimentos mais ricos nutricionalmente que estão aliados a uma melhor saúde para o consumidor. Mais ainda, estes alimentos podem ajudar a reduzir a exposição a bactérias resistentes a antibióticos.

Apesar de serem produtos mais frescos e nutricionalmente mais adequados, é necessário ter em atenção que um produto biológico não é necessariamente um produto sustentável. Os produtos alimentares biológicos podem não ser sustentáveis, porque um produto biológico pode ser produzido num local geográfico e ser levado para ser consumido noutro país, ou seja, não respeita a proximidade da zona geográfica tornando a cadeia de distribuição mais longa.

Desperdício alimentar

A ONU criou metas especificas relacionadas com o tema do desperdício alimentar, que irão contribuir para alcançar os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável, nomeadamente o objetivo 12 – garantir padrões de consumo e de produção sustentáveis – e os objetivos relacionados com a redução da pobreza e da fome e a promoção da saúde. Apela-se à redução para metade do desperdício alimentar proveniente do retalho e das casas do consumidor.

Cerca de 1/3 dos alimentos produzidos não são consumidos, o que representa aproximadamente 1,3 biliões de toneladas de desperdício alimentar por ano. O desperdício alimentar é um problema global, com consequências graves em termos socias, económicos e ambientais. As perdas alimentares e o desperdício alimentar são responsáveis pela emissão global de 8% a 10% dos gases com efeito de estufa, uma vez que representam um gasto de recursos utilizados, como água e energia, necessários para a vida humana.

Apesar de existir desperdício alimentar nos vários setores alimentares, a maior parte do desperdício acontece nas casas dos indivíduos (cerca de 61% do desperdício alimentar mundial). Desta forma, é necessário refletir sobre a forma como compramos, armazenamos, preparamos e consumimos os alimentos. Podemos fazer mudanças simples no nosso dia-a-dia para tornarmos os nossos hábitos alimentares mais sustentáveis.

Algumas dicas parauma alimentação saudável e sustentável:

  • Preferir alimentos locais e da época; sendo muito importante o consumo de pescado nacional, conforme a época.
  • Consumir alimentos provenientes do comércio justo.
  • Realizar uma lista de compras e adquirir apenas os alimentos que serão consumidos.
    O planeamento antecipado das refeições diárias permite uma gestão mais eficiente do dia alimentar, dos recursos utilizados e do orçamento familiar.
  • Ocupar 3/4 do prato com alimentos de origem vegetal; e assim, limitar 1/4 do prato para os alimentos de origem animal.
  • Limitar o consumo de carne vermelha e processada.
  • Aumentar o consumo diário de leguminosas.
  • Servir as porções de acordo com as recomendações da Roda da Alimentação Mediterrânica e em conformidade com as necessidades energéticas e nutricionais de cada indivíduo.
  • Reduzir o desperdício na preparação e confeção dos alimentos, por exemplo, reaproveitar as sobras de outras refeições, reutilizar ou reciclar embalagens utilizadas, minimizar o embalamento e adquirir os alimentos avulso.
  • Estar atento à data de validade dos produtos e acondicionar nas condições adequadas.
    Consumir em primeiro lugar os alimentos mais perecíveis.
  • Fazer uma horta ou um canteiro aromático.
  • Fazer compostagem dos resíduos orgânicos e utilizar como fertilizante.

Sustentabilidade Alimentar – porque é necessário um sistema alimentar sustentável?

Com a evidência científica crescente nos últimos anos, os indivíduos ganharam maior consciência sobre o papel fundamental da alimentação na saúde. No entanto, muitos desconhecem o impacto que a produção e o consumo de alimentos tem nos recursos mundiais. Para além dos automóveis que conduzimos e da energia que utilizamos para aquecer as nossas casas, os alimentos que produzimos e consumimos têm um impacto significativo no ambiente através, por exemplo, das emissões de gases com efeito de estufa, da utilização da terra e dos recursos hídricos, da poluição e do impacto dos produtos químicos, como herbicidas e pesticidas. Uma alimentação sustentável e os alimentos sustentáveis referem-se aos alimentos que podem ser produzidos de forma que não seja comprometida a capacidade das gerações futuras de produzir alimentos com igual qualidade.

O que é a sustentabilidade e uma alimentação sustentável?

A Organização das Nações Unidas (ONU) para Alimentação e Agricultura define sustentabilidade como as práticas que permitem garantir os direitos do homem, satisfazendo as necessidades presentes e futuras, sem causar danos irreversíveis no ecossistema e sem comprometer as gerações futuras. O conceito de sustentabilidade é um conceito multidimensional que engloba a integridade ambiental, o bem-estar social, a resiliência económica e a boa governação.

Desta forma, uma alimentação sustentável consiste numa alimentação de baixo impacto ambiental, que contribui para a segurança alimentar e nutricional da população, assim como para o seu estado de saúde, tanto no presente como no futuro. Uma alimentação sustentável protege e respeita a biodiversidade e o ecossistema, permitindo otimizar os recursos naturais e humanos. Para além disso, trata-se de uma alimentação culturalmente aceite, nutricionalmente adequada, acessível pela população, segura e economicamente justa.

Os alimentos sustentáveis devem ser produzidos com recurso a métodos de produção que respeitem o bem-estar do ambiente, dos animais, dos produtores e dos consumidores. Não devem ser alimentos processados, de modo a minimizar a quantidade de recursos utilizados. Desta forma, devem ser locais – ou seja, alimentos que são produzidos na proximidade, tendo uma cadeia de distribuição curta – e sazonais – ou seja, alimentos frescos, que se encontram disponíveis localmente e em condições de maturação adequadas para consumo. São alimentos com um custo económico e ambiental mais baixo comparativamente aos alimentos fora da época, nomeadamente porque utilizam menos cadeiras de frio e menos conservantes. Adicionalmente, podem apresentar melhores características organoléticas (sabor, odor e cor) e nutricionais.

Quais são os indicadores ambientais?

A pegada ecológica, hídrica (água) e de carbono são utilizadas como uma estimativa do impacto que o estilo de vida atual exerce sobre o planeta.

Pegada ecológica: mede a superfície de terra, biologicamente produtiva, e a água necessária para substituir os recursos utilizados e absorver os resíduos produzidos em relação à capacidade da Terra de regenerar os recursos naturais. A produção alimentar utiliza cerca de 40% da superfície da terra biologicamente produtiva.
Pegada de carbono: calcula a emissão de gases com efeito de estufa, durante o ciclo de vida do alimento (medida em gramas de C02). Entre 22 e 35% da pegada ecológica e emissões de gases com efeito de estufa são gerados pela produção e consumo de alimentos, e cerca de 15% destas emissões dizem respeito ao setor pecuário.
Pegada hídrica: mede a quantidade de água doce, em L ou m3, disponível. Também corresponde à quantidade de água utilizada para a produção dos alimentos e matérias-primas. A produção alimentar utiliza cerca de 70% do total de água doce.

Porque é que uma alimentação sustentável é importante?

Hoje em dia, mais de três biliões de pessoas sofrem de desnutrição e grande parte da população mundial tem maus hábitos alimentares, ou seja, de baixa qualidade nutricional. Ao mesmo tempo, a população mundial está a crescer rapidamente, e estima-se que haverá cerca de 10 biliões de pessoas no nosso planeta até 2050. Esta evolução implicará um aumento, cerca de 60%, na produção global de alimentos, e, consequentemente, uma maior pressão sobre os recursos naturais. Ao considerar o desenvolvimento alimentar sustentável, o objetivo é assegurar um futuro com alimentos suficientes e de igual acesso para todos, e de boa qualidade nutricional.

Em 2015, a ONU estabeleceu uma Agenda para o Desenvolvimento Sustentável até 2030. Foram definidos 17 objetivos, com o intuito de assegurar para as gerações futuras um planeta mais seguro e saudável. No âmbito da sustentabilidade alimentar, a ONU para a Alimentação e Agricultura apresentou cinco eixos principais para desenvolver o tema – melhorar a eficiência na utilização dos recursos; ter uma ação direta para conservar, proteger e melhorar os recursos naturais; proteger os meios rurais de subsistência e melhorar a equidade e o bem-estar social; melhorar a resiliência das pessoas, comunidades e ecossistemas, especialmente as alterações climáticas e a volatilidade dos mercados; e promover a boa governação para uma melhor sustentabilidade dos sistemas naturais e humanos.

O setor agrícola é dos principais responsáveis pelas alterações ambientais, onde se incluem as alterações climáticas, a desflorestação, a desertificação e as deteriorações nos ecossistemas marinhos, sendo a produção alimentar um dos maiores fatores que ameaça a extinção de espécies. Estas alterações ambientais podem levar a mudanças irreversíveis e catastróficas no sistema terrestre, que estão relacionadas com o aumento da mortalidade e morbilidade humana, conflitos mundiais e insegurança alimentar.

De facto, os nossos sistemas alimentares não são sustentáveis, e se queremos atingir os Objetivos para o Desenvolvimento Sustentável precisamos de agir rapidamente, nomeadamente refletindo e reconsiderando a forma como comemos e como os alimentos são produzidos. Alcançar um sistema alimentar saudável e sustentável é uma questão urgente que depende dos esforços e colaboração dos governos – são necessárias políticas nacionais e económicas para potenciar os produtos sustentáveis -, dos setores privado e público, e dos indivíduos – uma mudança no panorama da produção alimentar depende de uma mudança nos nossos hábitos alimentares.

Rotulagem nutricional simplificada

Rotulagem nutricional simplificada – eficiente na escolha de produtos alimentares saudáveis?

Quando vamos ao supermercado muitas dúvidas surgem sobre como escolher o melhor produto alimentar. A leitura do rótulo alimentar é de facto a forma mais completa de obter informação sobre a composição do alimento. No entanto, um estudo realizado na população portuguesa verificou que cerca de 40% da população não compreende a informação nutricional que se encontra presente nos rótulos alimentares. De facto, os cidadãos relatam que os rótulos alimentares são de difícil leitura e compreensão, devido ao formato e à complexidade da informação presente. Adicionalmente, a maioria descoloca-se aos supermercados, na maior parte das vezes, para a compra de uma grande quantidade de alimentos em pouco tempo, necessitando uma forma mais prática para a consulta da valorização nutricional dos produtos alimentares. Neste sentido, as ferramentas de rotulagem nutricional simplificada, colocadas na parte da frente das embalagens, podem auxiliar/orientar o consumidor na escolha de produtos alimentares mais equilibrados, adicionalmente à informação obrigatória por lei já presente nas embalagens.

Rotulagem nutricional simplificada ou rótulos alimentares?

Importa salientar que estas ferramentas, são voluntárias e não substituem a informação nutricional habitualmente presente nos rótulos alimentares. Servem de complemento aos rótulos alimentares, na parte da frente da embalagem, para facilitar a leitura e compreensão dos mesmos por parte do consumidor no momento da compra. De facto, são ferramentas importantes para auxiliar os consumidores na escolha de produtos alimentares no seu dia a dia, mas sabe-se que existem outros fatores que influenciam a compra dos consumidores como o preço, o sabor e a conveniência. Por outro lado, são ferramentas dinâmicas, necessitam de constante atualização e aperfeiçoamento, para que os produtos sejam classificados o mais próximo possível das recomendações alimentares e nutricionais.

Exemplos de ferramentas de rotulagem nutricional simplificada

Nutri-Score
O Nutri-Score é um sistema de avaliação de perfis nutricionais que se encontra na parte da frente das embalagens que classifica os produtos alimentares em cinco classes de acordo com o seu perfil nutricional. A classificação é baseada em cores e letras, desde o verde, com a letra A (privilegiar o consumo), ao vermelho com a letra E (limitar o consumo). O objetivo é facilitar a escolha de alimentos e bebidas mais equilibrados do ponto de vista nutricional, por parte do consumidor. Várias marcas já adotaram voluntariamente este sistema, como a Nestlé, Auchan e Danone.

Semáforo nutricional
Criado pela Food Standards Agency, uma autoridade do Reino Unido, o semáforo nutricional fornece informação sobre a quantidade de quatro nutrientes específicos: gordura, gordura saturada, açúcar e sal que compõem o alimento, através de um sistema de codificação interpretativo: baixo (cor verde; privilegiar o consumo), médio (cor amarela; moderar o consumo) ou alto (cor vermelha; limitar o consumo). Também fornece informação sobre o número de calorias e quilojoules, e sobre da porção tendo em conta a dose de referência dos respetivos nutrientes (em percentagem). Em Portugal, este sistema foi adotado pela primeira vez pelo Continente em 2008.

Warning Labels
Os warning labels, são símbolos em forma de sinal STOP, com mensagem de texto, aplicados na parte da frente da embalagem de produtos alimentares e bebidas, que fornecem informação sobre a quantidade excessiva de um nutriente individual, acima de um limite pré-estabelecido. A presença deste símbolo na embalagem indica que os produtos alimentares e bebidas excedem os limites de açúcar, sal, gordura saturada e/ou calorias. Em Portugal não encontramos, mas já são utilizados no Chile desde 2012, e em países como o Peru e a Venezuela também já utilizam.

Quais são as limitações associadas às ferramentas de rotulagem nutricional simplificada?

A diversidade de sistemas de rotulagem nutricional simplificada não é de todo a situação ideal. Em primeiro lugar, ter tantos esquemas diferentes torna mais difícil o controlo da precisão da informação transmitida em cada ferramenta aos consumidores. Em segundo lugar, não contribui para o estabelecimento de um ambiente que apoia e promove escolhas alimentares saudáveis, o qual é o objetivo principal da rotulagem nutricional simplificada. Por fim, dificulta a implementação de estudos para a avaliação do impacto de um determinado sistema na alfabetização do consumidor, nas escolhas alimentares e, a longo prazo, na saúde.

A discussão sobre qual poderá ser a melhor ferramenta constitui uma barreira para definir e implementar um sistema de rotulagem nutricional simplificada. Apesar dos avanços que têm sido feitos, falta ainda evidência científica sobre a facilidade de interpretação de algumas destas ferramentas e sobre o seu impacto nas escolhas alimentares e na compreensão de uma avaliação nutricional positiva (saudável) dos produtos alimentares. Para além disso, sabe-se que os ambientes sociais e físicos (tanto a nível individual como comunitário) em que as pessoas vivem têm uma influência importante na sua saúde e bem-estar. Por conseguinte, é também necessário avaliar o impacto da implementação destes sistemas de rotulagem nutricional simplificada nos diferentes grupos populacionais.

A utilização de ferramentas de rotulagem nutricional simplificada é uma medida de saúde pública que pode representar ganhos para a literacia e saúde da população. Os estudos que avaliam as diferentes ferramentas mostram uma probabilidade de 3 a 5 vezes superior de os consumidores escolherem produtos alimentares, quando os diferentes modelos de rotulagem (rotulagem simplificada e rótulo alimentar) estão presentes. Adicionalmente, tratam-se de sistemas que podem estimular a indústria na reformulação dos seus produtos, a fim de melhorar a sua composição nutricional.

No entanto, é necessário o aperfeiçoamento dos sistemas de classificação dos produtos alimentares, para que a informação nutricional seja obtida de forma adequada e o mais transparente possível. Isto é, para que a informação nutricional presente não induza o consumidor em erro, e, consequentemente, gere escolhas de produtos alimentares que possam comportar riscos associados à saúde. Na verdade, ainda não se sabe qual a ferramenta mais adequada para a escolha dos produtos alimentares, que garanta uma classificação adequada e segura do alimento para o consumidor.

Referências bibliográficas:

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